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Comunidade Internacional Promete Ajuda à Birmânia

06/05/2008

A Birmânia, também chamada de Myanmar, vive um verdadeiro pesadelo depois da passagem do ciclone Nargis, no passado sábado. Milhares de pessoas morreram e outras centenas de milhares precisam de assistência. Assistência que pode demorar a chegar já que, mesmo em momentos de crise, como o que se vive hoje, a junta militar que governa o país tem sua desconfiança em relação a estrangeiros.

Para ajudar as vítimas do ciclone Nargis, a Índia enviou dois navios carregados com comida, tendas, cobertores e medicamentos. A União Europeia anunciou uma verba de três milhões de dólares em ajuda humanitária. A China, por seu turno, prometeu um milhão de dólares. Verba que, segundo o  presidente Hu Jintao, destina-se à compra de bens para fazer face às necessidades mais urgentes.

A Tailândia e o Bangladesh ofereceram materiais de construção.  E os Estados Unidos, um dos países que impõe sanções económicas à Birmânia, anunciou uma ajuda de 250 mil dólares, recursos de um fundo de emergência disponível na sua embaixada em Rangoon. O Departamento de Estado, no entanto, tornou pública a informação que recebeu das autoridades birmanesas, a de que sua equipa não seria autorizada a entrar no país.

A junta militar que governa a Birmânia ao mesmo tempo em que deu as boas-vindas à assistência internacional, avisou as agências humanitárias que seus funcionários precisarão de vistos para entrar no país.

Os Estados Unidos apelam às autoridades locais para que sejam menos rigorosas nas suas exigências de forma a garantir que a ajuda chegue rapidamente a todos aqueles que dela necessitam.  Comida, remédios e abrigo são as prioridades absolutas.

Segundo o porta-voz da Cruz Vermelha Internacional, Matthew Cochrane, milhares de funcionários da Cruz Vemelha da Birmânia estão a actuar numa das regiões mais afectadas pelo ciclone, a foz do Rio Irawaddy. «Nós já lá estamos distribuindo os itensessenciais, como redes contra mosquitos, oleados, pastilhas para purificação da agua, entre outras coisas. Mas, obviamente, essa ajuda precisará aumentar dramaticamente nos próximos dias», afirmou.

O responsável da Cruz Vermelha qualifica o nível de devastação de «monumental» quando comparado ao tremor de terra e ao tsunami que atingiram o sul da Ásia em dezembro de 2004. Diz Cochrane  que  «é importante que a comunidade internacional realmente se envolva nesta situação. Por que se trata de um desastre de enormes proporções e que requer assistência significativa. Admitimos, pelos dados que temos nesta altura, que cerca de um milhão de pessoas tenha sido afectado».

A ajuda internacional à Birmânia, per capita, não vai além de alguns poucos dólares. Isto em virtude das sanções externas impostas ao país há mais ou menos uma década. Como se não bastasse, o governo birmanês ainda dificulta a actuação de agências humanitárias que desejam ajudar o país, um dos mais pobres da Ásia.

Os primeiros dados oficiais sobre vítimas e danos provocados pelo ciclone Nargis dão conta de que mais de 22 mil pessoas morreram e outras quarenta e uma mil estão desaparecidas. Estes números devem aumentar à medida que se revela a situação nas regiões mais isoladas do país.

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