O antigo
presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella, que chefia o “Painel de Sábios” da
União Africana, manifestou preocupação sobre a decisão do juiz-presidente do
Tribunal Criminal Internacional, Luís Moreno-Ocampo, de querer que seja emitido
um mandato de captura contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir.
Ben Bella que foi
o primeiro presidente da Argélia, de 1963 a 1965, advertiu para o que chamou de
“perigos” da acusação do Tribunal Internacional Criminal ao presidente sudanes,
afirmando que isso poderá levar a uma demissão que classificou de
“inconstitucional” do governo do Sudão.
Ben Bella chefia
o “Painel de Sábios” da União Africana, um grupo de cinco antigos chefes de
estado africanos representando as cinco regiões do continente, que se dedicam a
assuntos de prevenção de conflitos e que tem a sua sede em Adis Abeba, na
Etiópia.
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| Luis Moreno-Ocampo |
O juiz presidente
do Tribunal Criminal Internacional, Luís Moreno-Ocampo, procura um mandato de
captura contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, sob as acusações de
crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio pelo seu papel nas
políticas do seu governo em relação à região sudanesa de Darfur, onde um
conflito com grupos rebeldes causou a morte desde 2003 a cerca de 200 mil a 300
mil pessoas.
O ministro dos
Negócios Estrangeiros da Síria criticou também o esforço de perseguir
al-Bashir. Num encontro com o embaixador do Sudão em Damasco disse que as
acções de Ocampo iriam desestabilizar o Sudão e obstruir os esforços de paz.
Entretanto,
continuam as manifestações na capital sudanesa, Cartum. Alfred Taban, director
do jornal de língua inglesa Khartoum Monitor disse que as manifestações foram
organizadas por apoiantes do presidente al-Bashir em Darfur.
“Denunciaram
Ocampo e disseram que esta a fazer uma acção política contra o governo e outras
coisas assim. Que está contra o processo de paz em Darfur e denunciaram também
a América de estar por detrás de Ocampo e por aí adiante.”
Taban afirmou que
houve pelo menos cinco outras manifestações em Cartum contra o Tribunal
Criminal Internacional nos últimos dias, organizadas pelo governo.
As operações das
Nações Unidas em Cartum e em Darfur continuam sob um elevado nível de
segurança. Um soldado nigeriano da força conjunta Nações Unidas - União
Africana foi morto a tiro na quarta-feira à noite quando efectuava uma patrulha
em Darfur Ocidental, não tendo sido identificado o seu atacante.
O incidente
seguiu-se à morte de sete soldados de manutenção da paz numa emboscada na
semana passada em Darfur Norte. Timothy Othieno, investigador do Instituto para
o Desenvolvimento de Além-mar, em Londres, disse que a missão de manutenção da
paz está sobrecarregada.
“Existem apenas
10 mil soldados de manutenção da paz no terreno, o que é menos de metade do que
a UNAMID tinha inicialmente previsto. Darfur é uma vasta região, do tamanho da
França, como todos sabemos. E os desafios são tantos que não é possível
fiscalizar um território desse tamanho sem uma capacidade adequada, tanto
humana como militar.”
As Nações Unidas
retiraram temporariamente de Darfur pessoal não-essencial. As patrulhas de
manutenção da paz continuam contudo no seu ritmo normal.