Na
Guiné-Bissau, os juízes do Tribunal Regional de Bissau foram ameaçados de morte
numa carta anónima, enviada aquela instância judicial.
A
carta anónima intitulada " Aviso Sério",
a que a VOA teve acesso, refere-se ao facto dos juízes daquele tribunal, terem
marcado, cumprido que foram as férias judiciais de Agosto a Setembro último,
uma série de julgamentos "para condenar
inocentes e coitados.
Em
causa a marcação do julgamento de alguns dos mais mediatizados casos judiciais,
entre eles o relativo ao desvio de mais de 35 milhões de francos CFA, do Banco
Regional de Solidariedade, por um dos funcionários daquela instituição
bancária.
A
carta chama ainda a atenção para as fragilidades em termos de segurança e protecção
da integridade física dos juízes dos tribunais guineenses.
Uma
fonte daquele tribunal que pediu anonimato disse a VOA, que neste particular,
as ameaças constantes da carta anónima, já na posse das autoridades policiais
guineenses, consubstanciam, em termos de segurança, a realidade nos tribunais nacionais,
onde normalmente os juízes são obrigados a presidir a sessões de julgamento sem
a mínima protecção policial.
Isto num país, onde, entre os mais mediatizados processos judiciais, figuram
casos relacionados com o narcotráfico, de que a Guiné-Bissau tem sido fértil.
Ainda
de acordo com a nossa fonte, apesar dos incessantes pedidos de protecção
policial, os tribunais guineenses têm funcionado, regra geral, sem que para o
efeito estejam garantidas as mínimas condições de segurança e de integridade física
dos intervenientes nos processos judiciais.
Decorrente
desta realidade, a carta anónima está sendo por conseguinte encarada com alguma
preocupação entre os juízes do Tribunal Regional de Bissau, que entretanto e fazendo
fé na nossa fonte, apesar das ameaças irão levar adiante os julgamentos já
agendados.
A VOA conseguiu por outro lado apurar que a
preocupação dos juízes guineenses foi já encaminhada ao Supremo Tribunal de
Justiça e consequentemente ao Ministério da Justiça e da Administração Interna,
com vista a uma solução para o problema da insegurança nos tribunais do país.
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