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O aumento do populismo levou a uma confusão sistemática na opinião pública

03/10/2005

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, diz saber que rema contra uma crença popular de que os refugiados e os que procuram asilo não são vítimas, mas os que vitimam os outros. Guterres afirma-se chocado com o aumento da intolerância contra os que fogem a perseguições, e que são vistos com muitas suspeitas.

O Alto Comissário diz que o aumento da intolerância se fica a dever à demagogia política e populares campanhas na imprensa destinadas a manipular de forma cínica a opinião pública. Estas tácticas, diz, jogam com os medos e preconceitos das pessoas.

“O aumento do populismo levou a uma confusão sistemática na opinião pública, misturando problemas de segurança, terrorismo, fluxo de imigrantes e questões de refugiados e dos que procuram asilo. Preservar o direito de asilo significa desafiar a noção de que os refugiados e os que procuram asilo são fontes de insegurança ou mesmo de terrorismo, em vez de serem as vítimas dessa insegurança e mesmo terrorismo.”

Infelizmente, diz António Guterres, há muitas situações hoje em que o conceito de asilo é mal entendido, mesmo equacionado com terrorismo. Guterres apelou aos representantes dos 68 países que participam no encontro do Gabinete para os Refugiados, para confrontarem esta posição populista. Disse aos participantes que têm que proteger os refugiados e os que procuram asilo, os quais se encontram entre as pessoas mais desprotegidas do mundo.

Guterres nota que aumentou o número de países onde são mais duras as atitudes contra os que procuram asilo, países que lhes fecham as suas portas, numa altura em que o número de refugiados se encontra no seu nível mais baixo dos últimos 25 anos. Existem agora cerca de nove milhões de refugiados em todo o mundo.

Contudo, o Alto Comissário nota que há cerca de 25 milhões de pessoas deslocadas internamente. Pessoas que são vítimas de conflitos e que foram forçadas a abandonarem as suas casas, mas que permanecem dentro do seu país. E porque estas pessoas não atravessam uma fronteira internacional, não são consideradas refugiadas, e não podem assim receber a protecção da lei internacional.

Guterres afirma que o principal responsável pelos deslocados internos é o próprio estado. Acrescenta que a incapacidade da comunidade internacional de responder ao problema é o seu principal fracasso.

“A praga dos deslocados internos demonstra, ainda que não claramente, que o racismo, a xenofobia, o conflicto étnico, o nacionalismo violento e o fundamentalismo religioso continuam vivos e fortes por todo o mundo. Apenas os poderemos derrotar em nome da tolerância, que não é um valor abraçado por uma civilização específica, mas da própria civilização mundial.”

Ao contrário do que acontece com os refugiados, os deslocados internos não tem uma agência que zela pelas suas necessidades. Eles sobrevivem devido a assistência concedida por uma série de agências das Nações Unidas, organismos intergovernamentais e organizações não governamentais.

A agência da ONU para os Refugiados é responsável pela protecção aos deslocados internos, por gerir os campos e abrigos. Neste momento as suas grandes operações têm lugar na província sudanesa de Darfur, na República Democrática do Congo e na Colômbia.

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