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O Processo de Desmobilização Criou um Vácuo

15/08/2006

Na Costa do Marfim, os soldados rebeldes que tem patrulhado a parte norte do país, estão a regressar aos quartéis, segundo o que está previsto no acordo de paz em antecipação das eleições.

No entanto, o processo de desmobilização criou um vácuo de segurança, que tem sido preenchido por forças de segurança tradicionais, incluindo um grupo que acredita possuir poderes sobrenaturais.

Em Korhogo, uma localidade de cerca de 150 mil pessoas, são muitas as pessoas que permanecem até tarde em restaurantes barulhentos.

A atmosfera descontraída é, no entanto enganadora. Observadores internacionais, autoridades locais e os cidadãos em geral estão de acordo em que o crime subiu desde que os soldados rebeldes regressaram, há seis semanas atras, aos quartéis como previsto no processo de paz que prevê a desmobilização das forças. O vice-presidente da câmara, Silue Sigata, refere que cerca de uma vintena de residências tem sido assaltadas semanalmente, em vez de apenas um caso ocasional.

Zoumana Yeo, um militar rebelde sublinha que a ausência das ruas dos soldados rebeldes constitui a razão para o aumento da violência.

‘Estavam nas ruas para manter a segurança. Desde que saíram, deixaram de existir soldados para cuidar dos cidadãos durante a noite.’

A desmobilização constitui o primeiro passo de um programa, destinado a desramar e reintegrar aqueles que pegaram em armas no decurso da guerra civil na Costa do Marfim que teve inicio em 2002. O programa aplica-se aos rebeldes das Novas Forças, que ainda ocupam o norte, bem como as tropas do governo recentemente recrutadas e as milícias que lutaram ao lado do governo.

No norte, o grupo que assumiu a segurança denomina-se de Dozos, uma irmandade de elementos escolhidos a dedo, que reclamam ter poderes místicos.

Cerca de cinquenta Dozos estão reunidos no exterior da residência do chefe em Korhogo. Os Dozos existem há varias gerações tendo deixado de policiar as ruas quando as Novas Forças assumiram, há quatro anos, o controle do norte. Quando os comandantes rebeldes verificaram que o crime se tinha tornado um problema solicitaram aos Dozos para retomarem as patrulhas nocturnas.

Nenhum dos Dozos deseja ser identificado por receio de que sejam associados aos rebeldes.

O professor da Universidade de Illinois, Tom Bassett afirmou a Voz da América que o Dozos não são um grupo homogéneo e nem politicamente unificado. Alguns são atraídos pela a política, mas o mesmo não acontece com outros.

Transportando velhos fuzis e usando cabeleiras para meter medo, e vestuário camuflado, os Dozos não desejam ser muito visíveis. O seu líder indica que tem perseguido criminosos, mas que não são violentos.

Diz ele que não disparam nem espancam ninguém, apenas detém pessoas e entregam-nas as autoridades rebeldes.

O vice-presidente da Câmara acrescenta que a policia não possui recursos para patrulhar as ruas.

O dirigente dos Dozos sublinha que são um grupo espiritual, e os seus membros possuem poderes sobrenaturais.Diz ele que o grupo não aceita qualquer um. Os membros acrescenta, são seleccionados segundo a sua postura moral.

O professor Bassett indica que os Dozos acreditam que tem poder para se proteger da força de outros animais, quando os matam. Isto se torna necessário para os proteger da morte, da falta de saúde, de uma ma colheita, o que acontece com outras pessoas.

Os Dozos patrulham as ruas ate ao amanhecer regressando então a vida civil.

O líder dos Dozos refere que durante o dia são cidadãos normais, indo trabalhar, e vestindo roupas civis. Estão de vigilância apenas durante a noite.

Uma mulher que possui uma banca onde vende cigarros e artigos doce adianta ter reparado que a localidade esta mais segura desde que os Dozo regressaram.

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