Sylvia Steiner, de 56 anos de idade, é um dos dezasseis juízes neste momento em exercício no Tribunal Penal
Internacional. Entrevistada para a VOA pelo jornalista Francisco Jr. Aquela juíza
fala da adesão de Moçambique aquele tribunal, comenta o caso do presidente Al Bashir,
do Sudão, e começa por referir-se à abordagem da situação na República
Democrática do Congo.
Licenciada em direito desde 1977, e afecta ao Tribunal Penal Internacional
desde 2003, Sylvia Steiner, natural do Brasil, está também na mesma câmara, a
chamada câmara preliminar, que tem sob sua responsabilidade o caso do Sudão,
país em relação ao qual foram já emitidos três
mandados de captura.
Um desses mandados foi expedido contra o próprio presidente, Omar Al
Bashir, que recusa entregar-se. E como o Tribunal Penal Internacional não faz
julgmentos à revelia, o processo não avança
Estabelecido há mais de dez anos
em Haia, capital dos Países Baixos, o Tribunal Penal Internacional foi criado
pela comunidade internacional representada por mais de uma cntena de Estados
que assinaram o Estatuto de Roma, instrumento que criou o TPI.
Apesar de ter assinado o Estatuto de Roma, Moçambique não o ractificou, o
que significa que, se por ventura, Omar Al Bashir pisar solo moçambicano nada
lhe deverá acontecer.
A juiza brasileira do Tribunal Penal Internacional reconheceu que,
legalmente assim é, mas lembrou que o país teria, nesse caso, o dever moral de
o fazer, dado o apelo já formulado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas
a toda a comunidade internacional.
Sylvia Steiner fez estes pronunciamentos em Maputo onde, nos últimos dois
dias, esteve a participar numa conferência organizada pela Ordem dos Advogados
de Moçambique e que serviu para analisar os prós e os contras da adesão deste
país ao Estatuto de Roma.
Uma adesão que a juiza do Tribunal Penal Internacional acredita irá
acontecer. Sylvia Steiner saiu optimista da capital moçambicana.